SAGA – A história de quatro gerações de uma família japonesa no Brasil: Do fim da era dos samurais à violência de São Paulo atual, da repulsa inicial ao estilo de vida do Ocidente aos casamentos miscigenados.

Saga é um romance histórico sobre a imigração japonesa do Brasil com dramas e conflitos de quatro gerações de uma família e uma trama que mescla suspense com uma sensível reflexão sobre diferenças étnicas e os limites entre tradição e preconceito, além de constituir uma bela introdução à admirável cultura japonesa.

Desde o início da guerra no Pacífico, as notícias que chegavam do Japão já bastante manipuladas pelos americanos eram em parte distorcidas pela censura getulista e em parte pelos redatores dos principais jornais da colônia japonesa no Brasil. Nestes, as boas notícias – para os Aliados – eram publicadas em pequenas notas e as que davam conta de uma vitória nipônica viravam manchetes em que, subliminarmente era possível notar o famoso yamato damashii, o espírito japonês que inclui a veneração pelo imperador e a consciência da absoluta invencibilidade do Japão.

Desde o ataque a Pearl Harbour, houve uma cisão na colônia japonesa no Brasil. De um lado, estavam os kachigumis, que acreditavam na vitória do Japão e, do outro lado, os makegumis, que não acreditavam nela ou simplesmente não se incomodavam com a vitória ou derrota de seu país de origem, tendo efetivamente assumido o Brasil como pátria. Essa divisão de opiniões que no início, limitava-se ás discussões e apenas eventualmente gerava alguma briga, tornou-se muito mais séria a partir de 1944, com a criação da Shindô-Renmei (Liga dos Seguidores do Imperador) e depois a rendição japonesa transformou-se em violência declarada dos kachigumis contra os makegumis.

Com sede no número 96 da Rua Pacatu, no Jabaquara, em São Paulo, a Shindô-Renmei atuou com muita intensidade inclusive no interior de São Paulo e do Paraná, criando 64 filiais nesses dois Estados, com um total de 30 mil sócios registrados e mais de 100 mil imigrantes e descendentes que apoiavam a manutenção a qualquer custo do yamato damashii.

Era uma organização rica, pois doações não faltavam e com esses recursos conseguiu montar uma infra-estrutura de divulgação bastante forte, incluindo pelo menos um grande jornal a colônia.
Porém a atuação da Shindô-Renmei, que teoricamente deveria estar limitada à preservação do lado cultural e tradicional do yamato damashii foi focada numa terrível operação de limpeza, que incluía atos terroristas atentados e até mesmo o assassinato de muitos makegumis.

Um dos fatores preponderantes para essa distorção de objetivos foi a forte presença de ex-militares japoneses entre os imigrantes nipônicos que vieram para o Brasil entre 1928 e 1933. Muitos deles vieram para cá tendo como missão exatamente criar nos países onde a colônia japonesa começava a ser significativa, tanto do ponto demográfico como do econômico, núcleos de resistência à dominação política e cultural do Ocidente. Tornaram-se membros da Shindô-Renmei e passaram a divulgar o yamato damashii literalmente impondo suas ideias ainda que de forma violenta. O líder da associação era Junji Kikawa, ex-oficial do Exército Imperial Nipônico e seguidor fanático da divindade representada pelo imperador Hirohito.

Nos meses que antecederam a rendição nipônica, os principais membros da Shindô-Renmei elaboraram uma lista dos makegumis que deveriam ser eliminados pelos integrantes da Tokko-tai, grupo-ação da organização. Essa relação era composta por centenas de isseis e nisseis que, na opinião de Kikawa e seus conselheiros de alguma forma manifestavam-se a favor dos Aliados, mesmo que não militassem contra o imperador.

sagaA Shindô-Renmei iniciou sua ação contra os makegumis com atentados terroristas contra as propriedades daqueles que para Kikawa, estavam ajudando os americanos e, portanto, posicionando-se contra o Japão. Entre eles figuravam principalmente os produtores de seda – matéria-prima para a fabricação de pára-quedas e os plantadores de menta, de onde era extraído um importante aditivo para o combustível dos aviões.

Em 07 de março de 1946, o primeiro makegumi da lista negra a lista dos que deveriam morrer, Ikuta Mizobe foi assassinado na cidade de Bastos, interior de São Paulo, por Satoru Yamamoto. A partir daí, 23 makegumis foram mortos e dezenas tiveram suas propriedades atingidas por atentados.”

globo-livros-editoraCom 365 páginas o livro foi lançado pela Editora Globo em comemoração ao Centenário da Imigração Japonesa no Brasil.
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